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O perigo da placa de bruxismo: Entenda o Tecido Retrodiscal

O risco oculto: Como o uso da placa durante o dia pode ferir sua ATM

Muitos pacientes acreditam que a placa oclusal funciona como uma “muleta” que deve ser usada o tempo todo para evitar dor. Entretanto, o uso contínuo e sem orientação, especialmente durante o dia, pode sobrecarregar uma área extremamente sensível da articulação: o tecido retrodiscal.

Diferente do disco articular, que é feito para aguentar pressão, essa região posterior é rica em vasos sanguíneos e nervos, funcionando como o “calcanhar de Aquiles” da sua mandíbula.

O que é o tecido retrodiscal e por que ele sofre?

O tecido retrodiscal está localizado logo atrás do disco da ATM. Este tecido, diferentemente do disco articular é inervado e vascularizado. Ou seja, caso ele seja pressionado, vai levar a um processo doloroso e inflamatório. Sua função principal é preencher o espaço e servir de guia para o movimento articular, mas ele não possui estrutura para suportar carga.

Quando você usa uma placa durante o dia, especialmente se ela não estiver perfeitamente ajustada, você pode forçar a cabeça da mandíbula (côndilo) contra esse tecido. Essa compressão contínua gera um processo inflamatório conhecido como retrodiscite.

As consequências da pressão constante na ATM

A pressão no tecido retrodiscal não causa apenas um desconforto passageiro; ela pode levar a consequências debilitantes. Primeiramente, o paciente sente uma dor aguda e profunda na região do ouvido, que piora ao fechar a boca ou mastigar. Além disso, a inflamação gera um edema (inchaço) dentro da articulação.

Esse inchaço pode “empurrar” a mandíbula para frente, fazendo com que seus dentes não se encaixem mais corretamente, resultando em uma alteração súbita na mordida.

Por que não usar a placa no “Bruxismo de Vigília”?

Durante o dia, a maioria das pessoas apresenta o chamado bruxismo de vigília, que é o hábito de apertar ou encostar os dentes enquanto estamos acordados. Ao colocar uma placa nesse cenário, o paciente muitas vezes acaba apertando o dispositivo com ainda mais força e projetando a mandíbula para trás, pois o cérebro entende a placa como um “corpo estranho” a ser triturado.

Esse ciclo vicioso aumenta a pressão intra-articular, “esmagando” o tecido retrodiscal e agravando quadros de DTM que seriam simples de resolver.

O risco de efusão articular e danos permanentes

Se a pressão no tecido retrodiscal persistir, o organismo responde produzindo um excesso de líquido sinovial inflamado, o que chamamos de efusão articular. Em casos crônicos, essa inflamação persistente pode levar à degeneração das estruturas e até a perfurações do disco articular.

Portanto, a placa deve ser vista como um medicamento: a dose correta cura, mas o uso excessivo ou em horários errados torna-se tóxico para a sua articulação.

Conclusão: Use com consciência e orientação

Portanto, a placa oclusal é um dispositivo para uso noturno. Durante o dia, o melhor tratamento é a conscientização: dentes só devem se encostar para mastigar e engolir.

Se você sente necessidade de usar a placa durante o dia para aliviar a dor, isso é um sinal de alerta de que algo está errado no diagnóstico ou no ajuste do aparelho. Leia mais sobre bruxismo de vigília nets post AQUI e procure sempre um especialista para garantir que seu tratamento não esteja criando um problema ainda maior.

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